Cultura
19 de novembro é celebrado o Dia do Cordelista
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“Já estamos vendo farinha de barco. Dez mil réis um saco. Vem até fedendo, porém estão vendendo. E o povo a come. Não chamam-lhe nome, nem choram dinheiro, pois não há tempero igualmente à fome”.

Isso é um pequeno trecho de “Os Homens da Mandioca”, um dos poemas mais famosos da literatura de cordel. Ele foi escrito por Leandro Gomes de Barros, considerado o pai do Cordel. A importância deste paraibano da cidade de Pombal é tamanha que o dia 19 de novembro, data de seu nascimento em 1865, celebrado Dia do Cordelista.
Leandro Gomes de Barros era craque nos poemas que seguem regras de métrica e enredo, como se estivessem narrando pequenas histórias em versos rimados.
A pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa, Sylvia Nemer, conta um pouco mais da importância do pioneiro na arte para a literatura…
“Ele foi o primeiro a imprimir e publicar folhetos no ano de 1895. Leandro recuperou a tradição, escrevendo em versos narrativas dos ciclos tradicionais dos pares de França e das histórias do romanceiro que circulavam oralmente em toda a sua região. Mas seu grande sucesso se deve à magistral capacidade de reproduzir em suas histórias o cotidiano e o imaginário da sociedade em que vivia”.
Estes folhetos com desenhos em preto e branco, estampando as capas dos cordéis, eram pendurados em varais e expostos à população. Daí o nome “cordel”. Rapidamente, os poemas ocuparam cada vez mais espaços do país, como explica Sylvia Nemer…
“A tipografia utilizada na impressão dos folhetos e o sistema ferroviário na remessa das publicações para locais distantes do núcleo produtor, possibilitaram o desenvolvimento de um verdadeiro sistema de produção e distribuição. Foi esse sistema que abriu caminho para a constituição desse campo literário que conhecemos como Literatura de Cordel”.
As obras de Leandro serviram de inspiração para outras peças literárias de renome, como o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, e influenciou na estética do audiovisual brasileiro.
Todo esse reconhecimento, foi consolidado em 2018, quando o Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – declarou gênero patrimônio cultural imaterial do Brasil.
*Com supervisão de Vitória Elizabeth
Cultura
Brasil leva festa junina a Buenos Aires para promover turismo
Os argentinos em Buenos Aires terão a oportunidade de ver uma pequena amostra de uma das mais importantes celebrações culturais brasileiras: as festas juninas.

O Obelisco, que é um monumento histórico e um dos principais cartões postais da capital portenha, será palco, nesta terça-feira (17), de apresentações culturais, quadrilha junina, música nordestina e interação com o público internacional, além da produção audiovisual para promoção turística.
O evento na Argentina conta com participação dos maiores destinos juninos do país, como o “Mossoró Cidade Junina”, no Rio Grande do Norte, e o “São João de Maracanaú”, no Ceará.
A iniciativa faz parte da promoção internacional do turismo brasileiro, em parceria com a Embratur. O objetivo, claro, é estimular a vinda de turistas durante o mês das festas juninas, período que historicamente registra menor fluxo de visitantes argentinos.
Até fevereiro deste ano, o Brasil recebeu mais de 1,2 milhão de turistas argentinos, o que mantém nosso vizinho como o principal mercado de visitantes estrangeiros. No ano passado, quando o Brasil registrou recorde de turistas de fora, com 9,2 milhões de visitantes, mais de um terço foram argentinos.
A programação desta terça-feira também terá evento oficial na Embaixada do Brasil em Buenos Aires, com encontro institucional de autoridades, representantes do setor turístico e convidados estratégicos para promoção dos destinos juninos brasileiros.