Agricultura
USDA revisa projeções e indica ajuste na oferta global de café
Agricultura
As novas estimativas divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2025/26 de café, publicadas pelos adidos agrícolas nos três maiores países produtores, redesenham o quadro da oferta mundial. O Brasil deve colher menos, o Vietnã amplia sua produção e a Colômbia ajusta a oferta após um ciclo excepcional. As revisões chegam em um momento de preços firmes no mercado internacional e indicam uma safra global mais ajustada.
O Brasil, maior produtor mundial, deve alcançar 63 milhões de sacas de 60 kg, abaixo das 65 milhões registradas no ciclo anterior. O corte vem principalmente do arábica, cuja estimativa recuou para 38 milhões de sacas, frente às 44 milhões de 2024/25. Já o robusta avança para 25 milhões de sacas, impulsionado por condições climáticas mais favoráveis e pela expansão de áreas manejadas com irrigação e adensamento.
Mesmo com a oferta menor, as exportações brasileiras devem seguir em patamar elevado, estimadas em 40,75 milhões de sacas. O volume indica uma queda de 2,4% em relação à temporada passada, marcada por embarques recordes, mas deve manter receita expressiva em razão dos preços internacionais aquecidos. O USDA também projeta leve aumento no consumo doméstico, para 22,28 milhões de sacas, e estoques finais próximos de 485 mil sacas.
O Vietnã, principal fornecedor de robusta ao mercado global, caminha na direção oposta. A projeção para 2025/26 é de 30,8 milhões de sacas — crescimento relevante sobre as 29 milhões da safra atual. O país deve ampliar tanto o arábica, estimado em 1,2 milhão de sacas, quanto o robusta, que pode chegar a 29,6 milhões. As exportações também devem avançar, para 27,3 milhões de sacas, sustentadas por forte demanda da indústria de café solúvel. Com o aumento dos embarques, os estoques finais vietnamitas devem encolher para 889 mil sacas.
Na Colômbia, o cenário é de ajuste após a maior produção em três décadas. A estimativa para 2025/26 aponta 13,8 milhões de sacas, uma redução de 6,8% em relação às 14,8 milhões do ciclo anterior. As floradas menos intensas e o desgaste natural das lavouras após a supersafra explicam o recuo. As exportações devem diminuir para 12,55 milhões de sacas, enquanto o consumo interno tende a subir para 2,27 milhões. O USDA projeta estoques finais um pouco maiores, em 966 mil sacas.
Com os três principais produtores revisando suas projeções, o mercado global de café entra no ciclo 2025/26 com sinais mistos: a oferta brasileira cai, mas é parcialmente compensada pela expansão asiática; a Colômbia sinaliza ajuste após forte desempenho; e a demanda, interna e externa, segue firme. O conjunto das revisões tende a manter o mercado sustentado, com preços sensíveis a qualquer alteração climática até o início da colheita no hemisfério Sul.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Outono começa sexta com parte da safra ainda no campo e sob risco climático
O outono começa na sexta-feira (20.03) com a safra brasileira em uma fase decisiva: a colheita da soja alcança cerca de 73% da área nacional, enquanto o plantio do milho segunda safra chega a 84% da área prevista, segundo levantamentos recentes de mercado. O restante da área — pouco mais de 15% — ainda precisa ser semeado dentro de uma janela cada vez mais apertada, sobretudo no Sul.
A transição de estação ocorre em meio a uma mudança no padrão climático. Entre segunda (17) e terça-feira (18), a chegada de uma frente fria ao Sul do País intensifica as instabilidades. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para chuvas intensas no sul e oeste do Rio Grande do Sul, resultado do choque entre o ar quente acumulado nos últimos dias e uma massa de ar mais frio.
No campo, o efeito é direto. No Rio Grande do Sul, onde a colheita da soja ainda está abaixo da média nacional, a chuva tende a atrasar o avanço das máquinas e aumentar o risco de perda de qualidade dos grãos. No Paraná, onde os trabalhos estão mais adiantados, o impacto é mais pontual, mas ainda assim relevante para áreas remanescentes.
No Centro-Oeste, principal polo da safrinha, a situação é distinta. Em Mato Grosso — responsável por quase metade da produção nacional de milho segunda safra — o plantio já supera 95% da área, enquanto em Goiás e Mato Grosso do Sul os índices giram entre 80% e 90%. Ainda assim, as áreas que restam fora do solo estão sob maior risco, já que qualquer atraso agora pode deslocar o ciclo para um período de menor disponibilidade hídrica.
A previsão indica continuidade das pancadas de chuva na região, com risco de temporais em áreas do norte e centro-leste mato-grossense. Neste momento, a umidade favorece o estabelecimento inicial das lavouras já plantadas, mas o excesso pode interromper o plantio residual e dificultar a logística nas propriedades.
No Sudeste, a instabilidade se concentra no oeste de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro, onde a colheita da soja também se aproxima da fase final e o milho avança dentro da janela. Em São Paulo, as chuvas tendem a ser mais fracas, com impacto limitado, mas ainda interferindo no ritmo das operações.
Mais ao Norte, a atuação da Zona de Convergência Intertropical mantém volumes elevados de chuva em estados como Maranhão, Piauí e Ceará, enquanto a Região Norte segue com alerta para temporais em áreas do Pará, Amazonas e Rondônia.
A partir de agora, o risco se desloca. Historicamente, o outono marca a redução das chuvas no Centro-Sul, o que coloca em xeque o potencial produtivo do milho plantado fora da janela ideal. Com cerca de 16% da área ainda a ser semeada, o calendário passa a ser determinante: quanto mais tardio o plantio, maior a exposição a períodos secos durante fases críticas do desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, episódios de chuva intensa, como os previstos para os próximos dias, tendem a se concentrar em curtos intervalos, elevando o risco de paralisação da colheita e perdas pontuais.
Com números ainda relevantes tanto na colheita quanto no plantio, o início do outono não representa apenas uma mudança de estação, mas a entrada em uma fase mais estreita do calendário agrícola — em que clima e tempo passam a pesar mais do que qualquer outro fator na definição do resultado da safra.
Fonte: Pensar Agro