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Agricultura

Brasil caminha para safra recorde, mas produtor mantém vendas travadas

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Agricultura

A safra de soja 2025/26 no Brasil caminha para cifras que podem entrar para a história. Estimativas atualizadas apontam para uma colheita em torno de 178 milhões de toneladas, o que consolidaria novo recorde nacional. A área plantada também cresceu levemente, e o país mantém a liderança mundial da oleaginosa, com expectativas de produção e oferta que seguem robustas.

No entanto, o acesso a esses volumes elevados não tem se traduzido em vendas em massa no mercado doméstico. Apesar da valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago — com alta recente impulsionada por retomada parcial da demanda global e, especialmente, por compras internacionais — muitos produtores mantiveram postura cautelosa e têm vendido apenas parte da safra, aguardando preços mais favoráveis.

A cotação da soja no mercado físico no Brasil seguiu um movimento moderado nos últimos trinta dias. Cotações em regiões produtoras variaram pouco, refletem o equilíbrio entre oferta abundante e demanda interna contida. A fragilidade dos prêmios de exportação e a recente desvalorização do dólar em relação ao real limitaram o repasse dos ganhos externos para os preços domésticos — o que ajuda a explicar a hesitação do produtor.

No plano internacional, a concorrência, a logística e a demanda dos compradores continuam determinantes. A recuperação dos contratos futuros e a retomada de parte da demanda global abrem espaço para que o Brasil utilize seu grande potencial produtivo para renovar estoques e ampliar exportações. As projeções de uma safra volumosa criam janelas de oportunidade para negociar em maiores volumes, sobretudo se houver estabilidade cambial e fluidez logística.

A conjuntura, portanto, revela um paradoxo: há oferta recorde à vista e competitividade externa, mas o mercado doméstico segue com retração nas vendas. O resultado disso é uma expectativa de que os maiores ganhos — em volume e receitas — poderão vir da exportação, especialmente se houver fortalecimento da demanda global e adequação das margens para o produtor.

Em resumo: a 2025/26 tem potencial para ser um ciclo de recordes, mas o degrau até o ganho real depende de fatores externos — câmbio, demanda global, logística de exportação — e da disposição dos produtores em vender, em vez de esperar preços ideais.

Fonte: Pensar Agro

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Agricultura

Outono começa sexta com parte da safra ainda no campo e sob risco climático

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O outono começa na sexta-feira (20.03) com a safra brasileira em uma fase decisiva: a colheita da soja alcança cerca de 73% da área nacional, enquanto o plantio do milho segunda safra chega a 84% da área prevista, segundo levantamentos recentes de mercado. O restante da área — pouco mais de 15% — ainda precisa ser semeado dentro de uma janela cada vez mais apertada, sobretudo no Sul.

A transição de estação ocorre em meio a uma mudança no padrão climático. Entre segunda (17) e terça-feira (18), a chegada de uma frente fria ao Sul do País intensifica as instabilidades. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para chuvas intensas no sul e oeste do Rio Grande do Sul, resultado do choque entre o ar quente acumulado nos últimos dias e uma massa de ar mais frio.

No campo, o efeito é direto. No Rio Grande do Sul, onde a colheita da soja ainda está abaixo da média nacional, a chuva tende a atrasar o avanço das máquinas e aumentar o risco de perda de qualidade dos grãos. No Paraná, onde os trabalhos estão mais adiantados, o impacto é mais pontual, mas ainda assim relevante para áreas remanescentes.

No Centro-Oeste, principal polo da safrinha, a situação é distinta. Em Mato Grosso — responsável por quase metade da produção nacional de milho segunda safra — o plantio já supera 95% da área, enquanto em Goiás e Mato Grosso do Sul os índices giram entre 80% e 90%. Ainda assim, as áreas que restam fora do solo estão sob maior risco, já que qualquer atraso agora pode deslocar o ciclo para um período de menor disponibilidade hídrica.

A previsão indica continuidade das pancadas de chuva na região, com risco de temporais em áreas do norte e centro-leste mato-grossense. Neste momento, a umidade favorece o estabelecimento inicial das lavouras já plantadas, mas o excesso pode interromper o plantio residual e dificultar a logística nas propriedades.

No Sudeste, a instabilidade se concentra no oeste de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro, onde a colheita da soja também se aproxima da fase final e o milho avança dentro da janela. Em São Paulo, as chuvas tendem a ser mais fracas, com impacto limitado, mas ainda interferindo no ritmo das operações.

Mais ao Norte, a atuação da Zona de Convergência Intertropical mantém volumes elevados de chuva em estados como Maranhão, Piauí e Ceará, enquanto a Região Norte segue com alerta para temporais em áreas do Pará, Amazonas e Rondônia.

A partir de agora, o risco se desloca. Historicamente, o outono marca a redução das chuvas no Centro-Sul, o que coloca em xeque o potencial produtivo do milho plantado fora da janela ideal. Com cerca de 16% da área ainda a ser semeada, o calendário passa a ser determinante: quanto mais tardio o plantio, maior a exposição a períodos secos durante fases críticas do desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, episódios de chuva intensa, como os previstos para os próximos dias, tendem a se concentrar em curtos intervalos, elevando o risco de paralisação da colheita e perdas pontuais.

Com números ainda relevantes tanto na colheita quanto no plantio, o início do outono não representa apenas uma mudança de estação, mas a entrada em uma fase mais estreita do calendário agrícola — em que clima e tempo passam a pesar mais do que qualquer outro fator na definição do resultado da safra.

Fonte: Pensar Agro

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