IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Juíza autoriza perícia em ação contra deputado acusado de fraudes licitatórias
Cidades
A juíza Luciana Sittinieri Leon, da Vara Única de Rio Branco, autorizou a produção de perícia indireta no processo contra o deputado estadual Valmir Moretto, réu por improbidade administrativa.
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A ação é derivada da Operação Trapaça, que apurou o envolvimento do parlamentar num suposto esquema de fraudes licitatórias no Vale do Jauru, oeste do Estado de Mato Grosso, quando Moretto era prefeito do município de Nova Lacerda.
No caso, são apurados supostos danos de R$ 180.614,23 envolvendo irregularidades em procedimento licitatório do Município de Salto do Céu.
Após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso revogar a revelia decretada nos autos principais, a magistrada aceitou a contestação feita pela defesa do deputado. No documento, Moretto requereu a realização de perícia de engenharia para atestar a execução da obra de responsabilidade da Oeste Construtora Ltda., empresa que pertence à família do deputado.
“Considerando o lapso temporal transcorrido desde a execução da obra (aproximadamente 10 anos), a perícia indireta, baseada no processo licitatório, projetos, medições e notas de empenho, pode se mostrar mais célere e menos onerosa, atingindo o objetivo de verificar a compatibilidade entre o pago e o executado”, afirmou a magistrada.
Na mesma decisão, a juíza deferiu o rol de testemunhas apresentado pelos acusados.
A audiência de instrução ainda não foi designada.
Operação Trapaça
A operação foi deflagrada em 2019 para apurar os crimes de fraude a licitações e desvio de recursos públicos praticados por suposta organização criminosa atuante em Salto do Céu e outros municípios da região.
Uma das supostas fraudes constatadas durante as investigações foi a identificação de empresa fantasma criada em nome de “laranja” para participar, em conluio com outras empresas de pequeno porte, de processos licitatórios realizados pela Prefeitura de Salto do Céu. As empresas investigadas concorriam entre si para dar aparência de legalidade, viabilizando as fraudes.
Em poucos meses de atuação, a empresa de fachada ganhou mais de R$ 2 milhões em contratos de licitações possivelmente fraudadas, enquanto foi identificado que o seu sócio principal possuía um salário de apenas R$ 1,2 mil como tratorista.
Durante as investigações também foi identificado que uma empresa pertencente a familiar de funcionário público ganhou várias licitações, possivelmente com favorecimento pessoal ou em razão de informação privilegiada.
Além das prováveis fraudes a licitações, suspeita-se que parte dos serviços de obras públicas contratados tenha sido prestada com a utilização de maquinário e pessoal da Prefeitura de Salto do Céu.
Cuiabá
Câmara oficializa CPI para investigar suspeita de superfaturamento de até R$ 80 milhões na Educação de Cuiabá
A Câmara Municipal de Cuiabá oficializou nesta quarta-feira (21) a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades na compra de livros e materiais didáticos pela Secretaria Municipal de Educação. As suspeitas envolvem um possível prejuízo de até R$ 80 milhões aos cofres públicos — valor que ainda não foi comprovado.
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A CPI terá prazo de 120 dias e será presidida pelo vereador Demilson Nogueira (PP), tendo Marcus Brito Júnior (PV) como vice-presidente e Tenente-Coronel Dias (Cidadania) como membro titular.
Entre os pontos que deverão ser investigados está a aquisição de livros de informática destinados a escolas que, segundo informações divulgadas pela Câmara, não possuíam laboratórios em funcionamento nem ofereciam a disciplina.
O caso também é alvo de apuração do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e de análise pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
O ex-secretário municipal de Educação Amauri Monge já negou irregularidades e contestou as acusações. A CPI também terá como suplentes Wilson Kero Kero (PMB), Marcrean Santos e Cezinha Nascimento (União Brasil). Ainda não foi divulgado o calendário de reuniões e depoimentos da comissão.